


qual é o sentido da respiração sem música? de amores sem romance ? passos sem poesia ? vidas sem expressão, ó crime ! crime este que já serve como puniçao...
quero os sorrisos,
a pureza de uma bailarina...
quero pulos de alegria e filmes a cores
cores impressionistas de um pincel
cigarros acessos de um filme francês
amizades de um seriado norte americano
quero um café com o amigo
um filmes com o irmão
bebedeiras com o companheiro
o cinema com meu amor
um almoço com minha mãe
uma viagem com meu pai...
só queria a vida assim como ela é...
que a banda não cesse a musica
que o coração não cesse os amores
que a ultima pagina não chegue
que essa não seja lida, nem queimada em seguida
que as lembranças se apaguem
ó belas lembranças
digo de novo
muito belas
tão belas que não consigo relembrá-las sem a vergonha
a vergonha do presente já sem cor
do vento sem aroma
da vida sem amor...
aquele dia
aquela noite
aquele café
saudade de tudo até do oji
até do nunca
se vão os cineastas
chegam os mercadores
morrem os poeta
se de alguma forma nada muda
insatisfação estúpida
tristeza estúpida
felicidade inconstante
não sei mais oq dizer
pq dizer ,
nem como dizer
cansado de nada
cadê aquela musica não mais tocada ?
aquele lábio não mais beijado ?
os perfis sem entrelaçam em um arame infinito
quanto mais o tempo passa
mais é difícil me livrar desses grilhões
as notas passam passam passa
mas almas aparecem a noite
no mundo dos sonhos
no mundo da imensidão
os gritos se vão com o vento e voltam sabe lá como...
as lagrimas que fogem parecem estas ser o remédio
estas que perdi em algum vagão
a caminho daqui ..
vendi o sorriso na estação
vendi a infância para aqui chegar
vendi a um homem de barba castanha
que sumiu na multidão
atrás dele corri, mas não o achei
os amores fui vendendo, a força ou não
para comprar algum abrigo
ou para dar pra algum irmão...
os amigos foram descendo, novos foram subindo
mas os novos não me fazem esquecer os que se foram
vi crianças paradas me olhando, inocentes
pobres rostos que mal sabem que infelizmente um dia... serão como eu ...
vi flores, rios, e céus
céus distintos, cada um com sua cor
mas cada quilometro que eu passava
mais escasso ficava o amor...ai vendi minha alegria,
só guardei os sonhos para que eu não durmisse só nas noites frias
conservei os sonhos para sozinho não andar pelas ruas
vendi o resto que tinha para o meus bolsos encher
para que quando algo que importasse passasse
eu pudesse ter
mas nada vi que importasse de fato
quis chorar por tudo que vendi e do meu bolso tudo sumiu
estou nu , cheio de marcas
que mostram sobre a minha longa viagem ...
longa viagem... talvez isso de fato defina tudo
longa
muito longa
viagem...
